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Visitar Sarajevo é emocionante
Publicado em: 05/03/2016

Antes de visitarmos cidades desconhecidas é comum termos imagens que as representam. Às vezes pode ser uma música, filme, personalidade ou acontecimento histórico. No caso de Sarajevo, por mais brega que seja, o que não saiu da nossa cabeça foi a música Miss Sarajevo, gravada pelo U2 e o Luciano Pavarotti, nos anos 90, para chamar a atenção para o conflito que deixava milhares de mortos na cidade.

Aparentemente a música não significa nada para o pessoal daqui, já que o nosso guia mal lembrava que havia sido gravada. Mas as cenas daquela moça correndo para desviar das balas nunca vai sair da nossa memória (clique aqui para ver).

Sarajevo é extremamente rica de história, não só relacionada à guerra mais recente. Em um cruzamento da cidade, um acontecimento marcou o início de uma outra guerra: a 1º Guerra Mundial, quando o rei Franz Ferdinand foi assassinado. O guia que nos mostrou a cidade inclusive encenou um tiro no exato local onde aconteceu.

Além disso, as pessoas referem-se à cidade como a Jerusalém da Europa, porque num diâmetro de aproximadamente 200 metros há uma mesquita – a maioria da população é de muçulmanos -, uma catedral católica, uma sinagoga e uma catedral ortodoxa. Todo mundo convive na mais perfeita harmonia e tolerância, segundo o guia.

Guerra
A cidade ainda guarda marcas da guerra dos anos 90, quando separou-se da Iugoslávia. Em vários prédios e casas é possível ver marcas de bala ou dos estilhaços das bombas que foram jogadas ali durante o chamado cerco à Sarajevo, que durou mais de 1,4 mil dias. Há, inclusive, quadrados no chão de várias ruas, chamados de Sarajevo Roses, simbolizando locais onde morreram várias pessoas, sobretudo quando estavam em filas para conseguir alguma comida e se tornavam alvos mais fáceis para os atiradores.

A área central lembra um pouco a cidade do Rio de Janeiro, com alguns morros ao redor. Claro que não há favelas, mas esta condição geográfica foi usada pelos atiradores sérvios como posição privilegiada para matar bastante gente – o número estimado de vítimas é de mais de 100 mil – durante o cerco à Sarajevo.

Boa parte desta história do conflito pode ser vista no Museu Nacional da cidade, que com certeza vale a visita para entender um pouco melhor o que aconteceu ali. O nosso guia, Enes Popara , também deu um relato bem emocionante do que foi viver durante os anos de conflito. Um dos fatos mais curiosos contados por ele é relacionado ao Brasil. Em 1994, o governo liberou energia elétrica – que era super racionada – para a população assistir ao jogo da seleção brasileira contra os Estados Unidos na Copa do Mundo.

Assim como a guia que nos acompanhou em Zagreb (clique aqui para ler mais), Enes era criança durante a guerra e lembra-se de não entender muito bem a gravidade da situação. Em outra de suas histórias, também relacionada ao futebol, ele disse que estava batendo bola em frente de sua casa quando seu amigo foi baleado na perna, sem ter feito nada além de estar jogando futebol. Por conta disso, o guia disse que seus pais não deixavam eles vestir nenhuma peça de roupa vermelha, porque se tornava um alvo mais fácil para os atiradores.

Em um dos momentos mais emocionantes para nós, Enes contou que seu pai foi soldado e hoje vive com o chamado pânico pós-traumático da guerra.

Comida
Duas coisas são imperdíveis e precisam ser provadas no centro velho da cidade: o cevapi e o sudzukice, ambos acompanhados de um delicioso pão local e creme azedo. O cevapi é uma espécie de kafta feito com carne de carneiro e boi misturadas e depois assado numa churrasqueira. O sudzikice é uma linguiça local super saborosa, também preparada na churrasqueira. Para comer como os locais, vá ao restaurante Cevabdzinica Petica. Você pode provar tudo isso em pratos super generosos e não gastar nem 10 Euros para duas pessoas.

Outra especialidade local é a baklava, um doce de massa folhada, mel e várias opções de recheios ou coberturas.

Tour
O guia que nos acompanhou trabalha para uma agência chamada BH Spirit City Tours e o esquema do tour que fizemos é o mesmo dos outros free walking: você participa do passeio e ao final dá uma quantia que considera adequada pelo trabalho. Já fizemos este tipo de tour em várias cidades da Espanha e também em Zagreb, e vale sempre muito mais a pena do que os tour chamados oficiais das cidades, porque geralmente são guiados por pessoas mais jovens e as histórias nem sempre são tão formais – às vezes, inclusive, rolam várias fofocas e informações de bastidores, digamos assim.

Enes é apaixonado pelo Brasil e ficou muito animado, mas muito animado mesmo, em fazer o tour com a gente. Disse que acompanha o futebol desde o jogo histórico na Copa de 94 e que todos as pessoas do Brasil são bonitas e gente fina. Além disso, ele é uma figura também, super engraçado e contador de piadas e histórias.


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