Menu
 


Banner
Conhecer Bucareste é mergulhar na história do comunismo
Publicado em: 30/03/2016

Bucareste não é Budapeste. Sim, esta é a primeira coisa que aprendemos sobre a capital da Romênia - Budapeste é capital da Hungria. A confusão é famosa e até o Michael Jackson, quando fez seu primeiro show na cidade no início da década de 90, cometeu a gafe ao dizer que estava muito feliz em tocar em Budapeste . . . Eles têm até um site para esclarecer isso, chamado Bucharest, not Budapest.

Assim como Sofia, na Bulgária (clique aqui para ler mais), a cidade é cheia de histórias do período comunista, que durou do final da Segunda Guerra Mundial até 1989. Fizemos dois tours em Bucareste: o Free Walking Tour e o Tour do Comunismo, um dos mais legais que participamos durante esta viagem.

Fomos um grupo bem pequeno, na verdade um trio, e o guia conseguiu dar bastante atenção e responder perguntas que nem sempre tinham a ver com o período comunista. Sem contar que, mesmo tendo seis anos em 1989, ele contou um pouco daquilo que lembrava.

Claro que muito se diz sobre países comunistas e nem sempre as informações são corretas, ou vistas sobre óticas menos apaixonadas ou ideológicas. Das muitas histórias que ele contou, achamos que duas são bacanas de compartilhar.

Como tudo era racionado – eletricidade, água, gás, comida . . . - eles tinham duas horas por dia que a água ficava quente e com alguma pressão. Ele contou que sua família morava no terceiro andar de um prédio e, para conseguir tomar banho dentro dessas duas horas, tinham de esperar os outros moradores começarem a assistir um seriado na tevê, porque daí tinha menos gente usando e a água chegava até seu apartamento.

A outra história é que o governo comunista providenciava uma espécie de calça jeans para a população, mas quando chovia, a água tirava a tinta e percebiam que a calça não era exatamente o que acreditavam, e tudo mundo andava na rua com as pernas manchadas.

Nicolae Ceau?escu, o presidente do período comunista, destruiu boa parte da cidade para construir prédios novos. O mais impressionante de todos é o Palácio Real, que nunca foi usado pelo presidente – ele foi condenado à morte antes de ficar pronto. O prédio é monumental e foi erguido numa região da cidade que Ceau?escu tinha o desejo de transformar na Champs-Élysées romena. Na verdade, a avenida de Bucareste é um metro e meio mais larga do que sua inspiração francesa – o presidente queria que a sua fosse maior do que Paris.

Atualmente Bucareste é cheia de shoppings, lojas, cafés, restaurantes e clubes, como qualquer outra cidade da Europa. O transporte coletivo é barato e fácil de utilizar, seja ônibus ou metrô. Só tome cuidado no ônibus para não ser multado (leia mais aqui).

Carroça da cerveja
A guia do Free Walking Tour recomendou almoçar no restaurante mais antigo da cidade, chamado Caru Cu Bere. O prédio existe desde 1879 e curiosamente não foi destruído por Ceau?escu. O fundador tinha uma carroça que vendia cerveja no mesmo espaço e aos poucos foi ganhando clientes. O pessoal começou a pedir comida para acompanhar a cerveja e ele acabou virando um restaurante. O proprietário até tentou mudar o nome, mas já tinha se consolidado como a carroça da cerveja, ou caru cu bere.

Foi um dos lugares mais baratos da viagem até agora: entrada, salada, prato principal com acompanhamento e sobremesa pelo equivalente a 20 Reais. A comida não estava incrível, um pouco fria na verdade, mas pela tradição e pelo preço vale a pena a visita. A cerveja também não é grande coisa, mas o interessante é que eles continuam produzindo no mesmo espaço praticamente a mesma receita de antigamente.

Outro lugar interessante, que também produz a própria cerveja, é o brewpub Berestroika. As cervejas são ótimas e a comida muito boa. O bacana é que o proprietário é um indiano e há opções de comida tradicional da Índia para acompanhar as cervejas. É um lugar que com certeza vale a visita.


Comentários

Este post ainda não recebeu nenhum comentário. Seja o primeiro!

Comentar