Menu
 


Banner
Surfe na Islândia
Publicado em: 10/08/2018

Quando ouvimos falar sobre a Islândia, passam muitas coisas pela cabeça. Surf com certeza não é uma delas - talvez se você for surfista e associar qualquer destino com a possibilidade de pegar onda. Esse é o caso do Cesar. Como foi ele quem surfou nas águas congelantes do ártico, esse vai ser um texto em primeira pessoa, ok?

Ao decidir ir para a Islândia, lembrei de umas fotos de alguns profissionais surfando sob a luz da aurora boreal. Ao mesmo tempo, a Netflix lançou o documentário Under an Arctic Sky, que mostra uma galera enfrentando o frio para pegar algumas ondas.

Antes de realmente bater o martelo, escrevi para a Arctic Surfers, agência islandesa especializada em receber surfistas. Alguns e-mails depois, batemos o martelo: 28 de abril de 2018 seria o dia em que enfrentaria a água mais gelada da minha história para surfar - coincidentemente exatos 20 anos e sete dias depois de entrar pela primeira vez no mar com uma prancha de surf.

Depois de muita preparação física e psicológica, chegou o dia. O clima estava normal para a Islândia: nublado, ventando e uns 8ºC. O guia nos pegou no hotel e fomos rumo a primeira praia para dar uma olhada nas condições e decidir o que fazer. Os ventos influenciam muito em qualquer praia do mundo, mas na Islândia são mais determinantes ainda.

Um hora de estrada e chegamos na primeira praia. À primeira vista é uma praia bem parecida com Maresias, no litoral norte de São Paulo. O fundo é de areia e as ondas não têm um lugar muito definido para quebrar. Ventava e garoava sem parar.

O primeira desafio foi vestir a roupa de neoprene de seis milímetros - no Brasil normalmente utiliza-se de 3mm. Além da roupa, que tem uma touca, é necessário usar luvas e botas. Todo o aparato ajuda muito no frio, mas não faz milagre numa água com 10ºC de temperatura.

As ondas tinham cerca de 1,5 metro e o que mais estranhei foi a bota e a luva, porque nunca tinha usado e elas tiram completamente a sensibilidade. As condições não eram ideias por conta do vento, mas mesmo assim surfamos por aproximadamente duas horas.

Ainda na água falei para o Anton, nosso guia, que gostaria de surfar em outro lugar, talvez com condições melhores e sobretudo com o fundo de pedras - mais propício para ondas de qualidade. Saímos do mar e, com a roupa de neoprene e tudo, fomos para outra praia.

Mais uma hora de estrada e chegamos na segunda praia. A visão não poderia ser melhor: mar completamente liso, sem vento nenhum e ondas vindo alinhadas em direção à praia, ou melhor, às pedras. Apesar do frio e de estar com a roupa molhada, não pensei duas vezes em correr para o mar.

Pode ser a empolgação de estar na Islândia dividindo as ondas com apenas uma pessoa - nosso guia - e uma foca - que insistia em me perseguir -, mas posso dizer que foi uma das melhores sessões de surf da minha vida. O fundo de pedra, com uma bancada bem definida, favorece a formação e a maneira como as ondas quebram. Elas tinham cerca de 1,5 metro e estavam perfeitas. Duas horas depois, saí da água completamente esgotado, mas com um sentimento incrível de realização.

Claro que a Islândia não é o destino mais provável para uma viagem de surf, no entanto, caso você seja surfista e esteja indo para lá, vale a pena tirar um dia para conhecer as praias e pegar ondas sem ninguém em uma água congelante.


Comentários

Este post ainda não recebeu nenhum comentário. Seja o primeiro!

Comentar