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O Rio de Janeiro continua . . .
Publicado em: 12/12/2014

. . . tocando. Não sei os outros, mas para mim, a primeira coisa que descobri sobre o Rio de Janeiro foi o fato de ser a cidade mais musical que já visitei. E não, não fui a nenhum show ou algo do gênero. Mas, da hora em que chegamos até ir embora, não parei um minuto de cantarolar músicas sobre a cidade maravilhosa, de Planet Hemp a Tim Maia, passando por Tom Jobim e Jorge Ben.

Ganhei a viagem de aniversário e nós dois, eu e ela, fomos com uma certa desconfiança sobre estarmos mais ou menos seguros em comparação a São Paulo. Ainda que eu seja um pouco mais sossegado em relação a este assunto, confesso que tantos anos de notícias negativas formaram uma imagem do Rio de Janeiro não muito bonita. Na prática não senti mais ou menos medo do que em qualquer rua de São Paulo, por exemplo, e arrisco que é a mesma sensação de moradores de qualquer lugar do Brasil - infelizmente. Para ela foi um pouco diferente: “No primeiro dia de caminhada pelo calçadão de Copacabana, o medo estava presente. No segundo dia, já existia a dúvida se o medo era real ou resultado de toda a propaganda negativa, e nos dias seguintes já estava imaginando a minha mudança para a cidade maravilhosa. No final das contas, estava com menos medo no Rio do que em São Paulo. Pode ser neurose, mas é uma pena sentir tanta insegurança no país que é a minha casa”.

Como a previsão do tempo não era muito animadora - chuva quase todo o final de semana - havíamos nos programado para uma viagem mais gastronômica e menos turística, digamos assim. Para não falar que não fizemos nada de tradicional, fomos até o Cristo Redentor para não ver nada, só nuvens. Enfim, dicas sobre isso e tantos outros pontos famosos da cidade estão aos montes por aí, não precisamos falar. Então vamos ao que interessa: comer e beber.

Pub Escondido
Ela fala sobre a nossa primeira noite: “Fomos ao Pub Escondido: 24 torneiras só de chope e um único do único estilo de cerveja que eu gosto: helles. Valeu a visita, os enormes sanduíches são razoáveis e a sobremesa decepciona. Comparando com São Paulo é mais barato, mas para cervejeiros é um lugar justo”.

Eu achei razoável também, com uma seleção bem variada de chopes e o conceito de não trabalhar com nenhuma cerveja em garrafa é interessante. O hambúrguer estava ok, mas um pouco grande para o meu gosto. Tomei três cervejas: IPA do próprio pub (super fresca e fácil de beber, quase uma session IPA), a Amnésia, da Mistura Clássica (uma imperial IPA que poderia ser só uma IPA, faltou amargor e corpo) e a De Molen Hel & Verdoemenis (imperial stout que dispensa comentários).

Enfim, vale a visita pelas cervejas e o preço justo (média de R$ 70 por pessoa, com sanduíches, sobremesas, água e cervejas).

A outra parte do meu presente de aniversário veio nas duas noites seguintes: jantares na Roberta Sudbrack e no Olimpe, da família Troisgros.

Roberta Sudbrack
A opinião dela sobre a Roberta Sudbrack: “Eu estava bem preocupada, porque minha lista de restrição alimentar não é pequena e não achei nada sobre o cardápio. Sempre me dou mal com menus fechados e, ir num restaurante no qual a chef escolhe o que vai servir no dia, complica minha vida. Enfim, deu tudo certo em relação às minhas restrições: escolhi o menu de três tempos e, apesar da delicadeza e simplicidade dos pratos, esperava muito mais”.

Desta vez nossa impressão foi semelhante. Eu não tenho quase nenhuma restrição com ingredientes, mas achei o menu apenas razoável, abaixo da minha expectativa. O melhor momento foi a entrada: lichia com foie gras em geléia de Tokaji - um vinho húngaro. O restante não vale a descrição detalhada, mas resumindo: ingredientes bons, mas em receitas pouco equilibradas.

Antes do jantar no Olimpe, almoçamos no Aconchego Carioca. Ela: “Nosso único erro foi pedir uma porção de bolinho de entrada e prato principal, deveríamos ter experimentado todos os bolinhos do cardápio e ficado neles, porque são realmente deliciosos. Comemos o bolinho de arroz recheado com carne seca e queijo coalho, e só de lembrar dá água na boca, principalmente por causa da pimenta da casa”.


Olimpe

Depois do almoço, que não foi tão leve assim, chegamos ao Olimpe sem muita fome, mas com grandes expectativas. Só o amuse bouche valeria um texto único: cappuccino de cogumelos. Não só por ser pouco provável, mas pela surpresa de tomar e sentir o sabor de um cappuccino tradicional com um toque de cogumelos. Muito, mas muito, interessante mesmo. Eu optei pelo menu de seis pratos e achei as porções muito generosas, ainda que eu realmente estivesse cheio do almoço. O mar predominou: lula, polvo, atum, cherne e robalo. Depois veio leitão e o melhor por último: carne seca, batata baroa e queijo frescal. Se, a acidez e a textura são duas das coisas mais importantes para uma receita ser incrível, este prato alcança o ápice deste equilíbrio.

Ela também gostou e se impressionou bastante com o cappuccino de cogumelos. Suas palavras: “Casa pequena, elegante e aconchegante. O amuse bouche é inesquecível. Eu escolhi um jantar bem tradicional: ravióli com mousseline de batata baroa de entrada e filé mignon em crosta de alecrim e pimenta verde com galette de batata anna e molho bordelaise, como principal. A sobremesa foi creme brûlée, mousse de chocolate apimentado e palito de doce de leite: perfeito para a despedida”.

O Rio pode até continuar lindo, mas para mim ele continua tocando, e a música síntese da cidade maravilhosa é esta:


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