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Segundo dia no Marrocos: uma prévia do que estava por vir
Publicado em: 13/01/2015

Ele
Como comentei no texto anterior (clique aqui para ler), nosso segundo dia em solo marroquino começou muito bem graças ao café da manhã. Por conta da influência francesa muito forte em Casablanca, as opções de pães, frios, sucos, café e doces eram dignas de um bom hotel ou restaurante na França. Claro que o sabor não é idêntico, mas estava tudo muito bem feito e saboroso. De longe o nosso melhor café da manhã no Marrocos.

Como o dia seria bem longo, saímos às 8 horas para visitar a principal mesquita do país e uma das maiores do mundo: a Hassan II. Assim como no dia anterior, a chuva não deu trégua e a sensação térmica era muito mais baixa do que os 8º C que estavam marcados nos termômetros.

Em Rabat, de acordo com as poucas informações do nosso motorista, o Ali, tínhamos basicamente uma coisa para ver: o mausoléu de Mohammed V. O lugar parece um parque, com palmeiras espalhadas em uma área grande, cercada por um muro de pedras. O mausoléu em si é um predinho com duas portas bem pequenas e um piso inferior, onde estão os túmulos do antigo rei e seus filhos. O que mais chamou a atenção foi a quantidade de turista com bastão de selfie tentando fazer uma foto - mal sabia eu o quanto o objeto viraria febre aqui no Brasil dias depois. Não havia nada além da construção, por isso não conseguimos muitas informações e detalhes sobre o local e a história do rei. E, como a chuva persistia, também não conseguimos curtir muito o espaço externo e acabamos voltando logo para o carro.

Um parêntese: muito mais tarde descobrimos que o Ali, o motorista, não tinha autorização para nos acompanhar em muito lugares, porque no Marrocos, para trabalhar como guia, é preciso pagar algumas taxas ao governo, e ele era contra a medida. E, caso fosse pego trabalhando como tal, poderia até ser preso. Fecha parêntese.

Na vista à medina de Rabat, conhecemos também o primeiro, de muitos, fornos comunitários - super comuns no Marrocos. Você faz o pão na sua casa e leva neste local para assar, assim como todos os moradores das redondezas. O lugar é bem sujo, mas mesmo assim quis provar o pão e comprei um pedaço. O trigo que eles usam é muito diferente e também acho que não leva gordura nem sal na receita, por isso o sabor não é dos melhores. O mais interessante da visita à medina, ao menos para mim, foi um mirante para o mar, onde tinha uma escolinha de surf com uma galera pegando altas ondas. Deu para perceber que o lugar é ótimo para surfar, mas infelizmente não havíamos programado e fiquei só na vontade.

Em Fes, ficamos hospedados em um riad - antigas casas transformadas em hospedarias - na medina antiga. Descobrimos que não entram carros nestas cidades, por isso, tínhamos de caminhar até o riad com a bagagem e tudo o mais. O guia que nos acompanhou no dia seguinte também apareceu: Salim, um marroquino muito acelerado e com sotaque português muito engraçado. Todas as frases, absolutamente todas, ele pontuava com “de acordo?”. O trajeto até aonde ficamos foi tumultuado: Salim e Ali andando feito loucos nas ruazinhas carregando nossas malas e nós dois atrás tentando acompanhá-los.

O riad à primeira vista era legal e fomos recebidos, como de hábito, com um chá de menta. Neste dia, não fizemos mais nada e, por sorte, ao menos no jantar conseguimos tomar um vinho - já que pouquíssimos lugares querem ou têm permissão para vender bebida alcóolica no Marrocos.

Ela
Casablanca entrou no nosso roteiro por causa do vôo e acredito que só seja interessante passar por lá pela questão logística. O dia estava cinzento e chuvoso. No final da rua do nosso hotel estava a praia, caminhamos até lá e pudemos observar o mar bem revolto, com muitas ondas.

Seguimos para a mesquita Hassan II, que é a segunda maior mesquita do mundo, só perdendo para Meca. Como ainda era muito cedo e fazia muito frio, resolvemos não esperar a abertura, mas me arrependi muito, porque só depois nosso guia fez a gentileza de contar que as outras mesquitas no Marrocos não permitem a entrada de não-muçulmanos, ou seja, perdermos a única oportunidade de visitar uma mesquita.

Fomos para Rabat para visitar o túmulo de Mohammed V que, apesar de ser bacaninha, não é meu tipo de passeio preferido. Em seguida, o motorista nos deixou na entrada da medina de Rabat, bem pequena se compararmos com as próximas que visitaríamos. Assim que ultrapassamos o portão de entrada, um senhor colou na gente e começou a dar informações sobre o local, como me pareceu muito interessante não o dispensamos, até porque pensei que uma gorjeta seria suficiente, mas engano nosso. No final do tour, ele quis nos cobrar 400 dirhams, que é equivalente a 40 euros. Achei muito caro e falei que não tinha todo esse dinheiro, no entanto, acabamos pagando 200 dirhams, que mais tarde descobrimos ter sido quase um roubo.

Enfim, quando estamos viajando é natural acontecer uma coisa ou outra, pois em todos os países que já visitei sempre tem gente querendo tirar vantagem de turista e, mesmo eu que já sou escolada, às vezes acabo caindo nesses pequenos golpes, mas por sorte foi um passeio interessante.

No caminho rumo a Fes, fizemos uma parada em Meknes para o almoço, onde descobrimos que a comida seria um dos grandes problemas da viagem. Todos os restaurantes servem um menu do dia que é basicamente uma sopa de entrada, couscous ou tagine de prato principal e fruta de sobremesa - geralmente bem feias. Ainda havia o fato de não ter bebida alcoólica em boa parte dos restaurantes. Não que eu beba muito, mas quando estou viajando, uma taça de vinho sempre acompanha as refeições.

Chegamos a Fes no final da tarde e fomos recebidos por Salim, nosso guia por lá, que nos levou em ritmo acelerado pelas vielas da medina até nosso riad. Esse pequeno trajeto me conquistou imediatamente: achei as pequenas ruas, o movimento, as pessoas, os burrinhos tão lindos. Ficamos no Riad dar Bensouda, super charmoso e aconchegante.

Lembro muito bem da nossa recepção, porque por conta do almoço em Meknes, estava morrendo de fome e pedi um chá da tarde. Nos serviram um lanche super caprichado com geleias, queijo, chá de menta, pães e azeitonas verdes e pretas. Nos instalamos, descansamos e jantamos no próprio hotel, cujo cardápio foi o mesmo que nos acompanhou a viagem inteira: sopa, couscous ou tagine e frutas, mas ao menos pudemos relaxar tomando uma garrafa de vinho tinto marroquino.


Comentários

Cesar - First Class Bus • 16/01/2015 às 08:17
Obrigado, Sueli. Que bom que esteja gostando!
sueli • 14/01/2015 às 14:44
Muito boa a descrição de toda as suas experiências. Parabéns!
Cesar - First Class Bus • 14/01/2015 às 08:42
Obrigado, Quênia. Ficamos felizes que esteja gostando . . . Logo, logo publicaremos mais textos!!!
Quênia P. C. Grob • 13/01/2015 às 18:44
Estou adorando acompanhar os seus comentários . Até parece que estou lendo um livro. Fico aguardando sempre o próximo capítulo.

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