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Quarto dia no Marrocos: paisagens diferentes e um show bérbere no deserto
Publicado em: 21/01/2015

Ele
Graças ao Marrocos, o real significado de duas palavras passaram a realmente fazer sentido para mim: burro de carga e deserto. A primeira já falamos um pouco sobre no post de Fes (clique aqui para ler), mas é a segunda que realmente muda tudo quando você está lá no meio do nada. Óbvio que, quando pensamos em deserto, vem à cabeça calor, dunas de areia, pouca água, oásis e mais algumas coisas. O vazio também está incluído no significado da palavra, mas ver e sentir este vazio é algo completamente diferente de imaginá-lo. O choque de estar no meio do nada foi tremendo e me fez pensar em muita coisa - além do medo constante de passar mal e não ter como ser socorrido, mas isso é outra história. Chegamos ao deserto depois de 600 quilômetros de estrada, de Fes para Merzouga. No caminho nada agradável teve de tudo: neve, estradas fechadas, a Suíça marroquina, montanhas, macacos no acostamento, vilarejos e, finalmente, o nada - ou melhor, o deserto.

Um fato curioso: no caminho passamos por muito lugares diferentes, montanhas, povoados, picos nevados . . . e o sinal do telefone praticamente se manteve o mesmo, com o 3G funcionando perfeitamente bem, até em lugares que nem energia elétrica deveriam ter. É engraçado passar por estes lugares e ao mesmo tempo estar checando os e-mails de trabalho ou publicando uma foto no Instagram . . .

Outro fato curioso são os táxis, único meio de transporte para quem mora nos povoados e quer chegar à cidade mais próxima. Em praticamente todo o país, encontramos famílias inteiras na beira da estrada esperando as Mercedes super velhas para levá-las sabe Deus onde. Não vi um táxi vazio durante toda a viagem, e detalhe: o carro, sempre arriado, leva seis pessoas, fora o motorista.

Neste dia, paramos para comer em um lugar bastante turístico e estava até que gostoso: tomei uma sopa de legumes que parecia mais uma sopa de mandioquinha, e optei por um espetinho de carne de, segundo a tradução do garçom, peru, mas tinha gosto mesmo era de frango. Sobremesa foi tipo um flan, daqueles que vendiam antigamente nos supermercados, com calda de morango ou caramelo. Finalmente tomei uma cerveja: Casablanca, uma american standard lager, quase uma Brahma, mas considerando o contexto nem achei tão ruim.

Jantar no meio do deserto foi bom: carne de carneiro, berinjela, couve-flor, arroz, tudo muito bom, por incrível que pareça. Levamos um vinho do Carrefour, porque o hotel não pode vender bebida alcoólica.

Depois do jantar rolou um show de música bérbere, de uma banda chamada Imodda, formada por jovens berberes, com guitarra e atabaques. Não sei se foi o vinho, mas naquele momento achei que a música era uma mistura de Fela Kuti, Mulato Astatke e Hurtmold. Nosso motorista, Ali, que ficou botando banca a viagem inteira sobre tocar música bérbere, fez uma participação relâmpago, porque assim que pegou num atabaque acabou quebrando e a turma da banda botou ele para correr.

Impressionate ouvir uma música tão interessante no meio do nada, cuja nossa expectativa era a pior possível, e sair completamente surpreendidos e admirados pela qualidade sonora e talento dos rapazes, que devem se apresentar basicamente para os hóspedes dos hotel. No vídeo abaixo, uma música inteira (perdoem a qualidade da imagem, porque estava muito escuro):

Apresentação da banda bérbere Imodda from 2praca2prala on Vimeo.

Ela
Os dias de transição de uma cidade para outra foram os mais chatos, longos e cansativos. Saímos cedo de Fes rumo a Merzouga. A paisagem mudou muito durante o dia, mas ainda assim não compensou o longo trajeto. Não sei se o caminho era realmente ruim ou se as estradas ou nosso motorista que não ajudavam muito.

Vimos campos de oliveiras e de cedros, atravessamos o médio atlas (cadeia de montanhas) e chegamos a Iphram para fazermos uma parada. Havia muita neve e fazia muito frio. Continuamos a viagem e, ainda no médio atlas, fizemos uma parada para tirar foto dos macacos que ficam perto da estrada.

Na sequência, o visual começou a mudar e o clima desértico já despontava, com alguns oásis cheios de tamarais e pequenas vilas, onde foi possível observar o cotidiano das pessoas que andavam nas ruas e estavam nos pequenos comércios.

Depois de um dia inteiro de estrada chegamos ao nosso destino. Para ir até o hotel, nosso motorista bancou o piloto e ficou brincando de Rally Dakar por quase meia hora, por isso mal pudemos aproveitar o por do sol naquele momento, já que estávamos tentando nos proteger das pancadas que o carro dava ao passar pelos buracos.

Chegamos ao hotel, Auberg du Sud, querendo ir diretamente para o quarto, mas acabamos participando de todo aquele ritual de boas-vindas, que eu acho um pouco forçado, no qual nos oferecem chá preto com menta. Curioso é que este hotel é administrado por garotos, parece trabalho escravo, porque os mesmos que nos recepcionaram cuidavam do jardim, arrumavam os quartos, cozinhavam jantar e o café da manhã, e ainda tinham uma banda para o show noturno.

O quarto era gelado e muito escuro, acredito que era para não destoar muito do qual iríamos dormir no dia seguinte no deserto.

Antes do jantar tive o gostinho de ver o céu estrelado e soube que a noite seguinte seria sensacional. No jantar, a comida típica marroquina, que dispensa comentários, foi seguida por um show de tambores, que naquela altura da noite e do cansaço acabou sendo até divertido.


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