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Vinhos, vinhos e mais vinhos em Mendoza
Publicado em: 06/03/2015

A principal condição para você visitar a cidade de Mendoza, na Argentina, é gostar de vinho. O lugar pode até ter outras atrações, mas temos de confessar que não fazemos a menor ideia do que você pode fazer além de visitar as vinícolas daquela região. Ao menos para nós isso não é um problema, já que o objetivo da viagem era realmente esse: degustar os melhores vinhos argentinos diretamente dos barris.

Por motivos óbvios você precisa contratar alguém para dirigir entre uma vinícola e outra. Nós optamos por uma empresa de receptivos chamada Luxury Trip, e foi ótimo. Definimos o roteiro previamente por e-mail e eles se encarregaram de tudo: fazer as reservas, controlar nossos horários, definir os itinerários e, claro, nos levar até aos locais que queríamos visitar. Na prática não precisamos nos preocupar com nada, aliás, a única preocupação era beber muita água para evitar a desidratação e a ressaca.

Ao todo, foram nove vinícolas em quatro dias, e vamos contar a experiência naquelas que mais gostamos.

Achaval Ferrer
Para nós é o melhor vinho do mundo, e visitar a vinícola foi a confirmação disso. A informação mais interessante: eles usam mais ou menos 75% de toda a safra para adubar os 25% restantes, cortando as uvas antes de estarem boas para que o solo absorva e dê nutrientes para os cachos que ficaram na parreira. À primeira vista parece que três quartos da produção total é desperdiçada, mas, quando você prova o vinho, percebe que faz todo o sentido. A produção é pequena - não lembramos exatamente quanto - e a distribuição segue a mesma receita. Desde o vinho mais simples, um Malbec, até o mais sofisticado, blend de várias uvas, todos são extremamente saborosos e complexos. Os próprios argentinos, ao menos de acordo com o nosso guia, consideram os vinhos da Achaval superiores e só tomam em ocasiões especiais. A vinícola é super pequena e não tem restaurante, mas você pode visitar a fábrica e degustar todos os vinhos comendo pão com azeite, produzido também por eles. Dica: se for até lá, prove também o vinho de sobremesa, que é incrivelmente bom.

Terrazas de Los Andes
Este foi um dos lugares mais bacanas também, sobretudo pela degustação. A pessoa que nos acompanhou parecia realmente conhecer o que estava servindo e conseguia dar muita informação sobre cada uma das uvas. O almoço foi um capítulo à parte: o local é uma espécie de hospedaria com restaurante, anexo à fábrica, e a comida é surpreendente. Tivemos oportunidade de provar receitas super bem elaborados de alta gastronomia e nada tradicional da culinária argentina. O Cesar sempre comenta que foi um dos melhores camarões que já comeu na vida, além é claro da harmonização com os vinhos.

Família Zuccardi
Pode não ser tão pequena quanto à Achaval - é fácil encontrar vinhos no supermercado por aqui -, mas nem por isso tem uma qualidade inferior. Claro que as linhas mais caras são superiores, mas desde as garrafas de entrada é possível perceber o cuidado na preparação e a escolha das uvas. O roteiro de visita é parecido com todas as vinícolas e até um pouco repetitivo, porque falam desde a colheita até o líquido ser engarrafado. Visitou uma, visitou todas em relação ao processo. A estrutura é bem grande e eles oferecem uma série de cursos para qualquer pessoa, basta agendar. Além da degustação na fábrica, neste dia também almoçamos na própria vinícola, tomando um Malbec 2006, considerada uma das melhores safras de Malbec da história da Argentina. A comida foi a tradicional parrilla, e até hoje o Cesar fala da costela de lá.

Salentein

Esta vinícola foi a mais próxima que chegamos da Cordilheira dos Andes, quase na divisa com o Chile. Além do frio, viajamos em julho, a paisagem é espetacularmente bonita, com as montanhas nevadas em contraste com o clima desértico de onde as uvas são plantadas. A vinícola é super imponente e, de cara, você chega num prédio super moderno, que é na verdade uma galeria de arte. O restaurante fica num anexo à esta construção e foi um dos melhores de toda a viagem. Pratos super bem elaborados de alta gastronomia e harmonizados com todos os vinhos produzidos pela bodega. Nos empolgamos no almoço e, de tanto comer e beber, não conseguimos fazer a visita à fábrica, mas aproveitamos uns bancos do lado de fora do restaurante para ficar aquecendo no sol, esperando a comida baixar um pouco e apreciando a cordilheira.

Andeluna
Não conhecíamos nenhum vinho desta vinícola e foi a maior surpresa da viagem. Quando chegamos lá, desconfiamos um pouco, principalmente porque tinha uma bandeira enorme dos Estados Unidos na entrada. A pessoa que nos guiou explicou que a bodega, propriedade de uma família argentina há mais de 100 anos, havia sido comprada por um milionário estadunidense, que fez algumas mudanças para melhorar a qualidade do vinho. Fizemos a visita de praxe e partimos para a degustação, com um branco e quatro tintos. Todos os rótulos, sem exceção, são muito saborosos e interessantes. Nenhum era super encorpado e amadeirado, como boa parte dos vinhos argentinos, mas ainda assim eram equilibrados e aromáticos. Depois de algum tempo, descobrimos que alguns lugares no Brasil trabalham com algumas garrafas desta vinícola. Caso você encontre por aí, vá sem medo porque vale a pena.

Catena Zapata
Os vinhos são super conhecidos no Brasil, dos mais baratos aos mais caros. A vinícola é enorme em tamanho e produção, e toda a imponência está no estilo de construção no meio do deserto: um castelo em meio à terra e parreiras. Os vinhos que tomamos são gostosos, mas as linhas superiores valem mais a pena. O interessante desta visita foi que nos mostrarem boa parte dos barris onde o líquido fica guardado e, até hoje, o cheiro daquela sala não sai do nariz. É algo inexplicável, o aroma de madeira e vinho é maravilhoso e dá ainda mais vontade de tomar umas taças.

Norton, Trapiche e Chandon
Não escolhemos nenhum destes três, mas, como ficavam no caminho para outras vinícolas, o guia sugeriu e acabamos topando - para nos arrependermos profundamente. Depois de visitar bodegas menores, chegar num lugar enorme cuja produção é várias maior do que todas as outras juntas acaba impactando negativamente. Talvez por um pouco de preconceito nosso em relação a grandes vinícolas, porque temos preferências pelas menores, mas em nenhuma destas três valeu a pena a visita nem a degustação. Na Chandon tivemos um almoço extremamente demorado, com os pratos demorando mais de uma hora para serem servidos.

Enfim, na mesma intensidade que recomendamos as anteriores, não recomendamos estas três.


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