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Visitamos um campo de concentração nazista
Publicado em: 02/04/2015

Quando estávamos planejando nossa viagem para a Alemanha descobrimos que existia um campo de concentração perto de Munique. Começamos a pesquisar sobre Dachau e de cara a visita entrou para nossa lista. Sempre tivemos muita curiosidade pelos campos de concentração nazistas e estar em um deles foi emocionante.

O campo de Dachau (pronuncia-se Dárrau) fica a 20 minutos da estação central de Munique, com opções de saída a cada 30 minutos durante todo o dia. Depois do trem, bem em frente à estação, tem um ônibus que deixa você na entrada do campo.

Havíamos criado uma grande expectativa para a visita, mas nada poderia ter nos preparado para ela. Como queríamos realmente conhecer a história do lugar, optamos em fazer um tour guiado, cujo preço foi de 3 Euros. Não é necessário agendar, no entanto, em inglês, há apenas dois tours por dia, às 11 horas e às 13 horas. Para garantir um lugar, a dica é chegar cedo, porque o limite é de 30 pessoas por grupo.

A visita começa num local tranquilo e arborizado e fica até difícil de imaginar que ali funcionou um campo de concentração. Dachau foi o primeiro espaço criado pelo regime nazista e serviu de modelo para todos os outros. No início, era apenas para prisioneiros políticos da própria Alemanha, gays e pessoas com algumas doenças “proibidas” pelo regime, como síndrome de down, por exemplo. Só muito tempo depois, o campo começou a receber judeus.

Logo no portão principal, a gente se depara com o slogan arbeit macht frei, cujo significado é: somente o trabalho o torna livre, usado pelos nazistas para enganar os presos, no sentido de que trabalhando, mais cedo ou mais tarde, eles sairiam dali. De acordo com a guia que nos acompanhou, os judeus acreditavam nisso, ao menos no início, o que torna a sensação de estar ali ainda pior, sobretudo sabendo de tudo o que aconteceu na época.

Naquele momento começa a cair a ficha do quanto havia de maldade nos nazistas. É difícil saber ao certo, mas vendo aquilo fica difícil não achar que a população apoiava tudo o que Hitler estava fazendo, não só por obrigação, mas por convicção também.

Visitamos todos as instalação do campo: cadeia (por mais estranho, ou engraçado, que pareça haviam celas), os locais de trabalho, os alojamentos, locais de vigilância e os dois crematórios, um mais antigo e outro mais moderno. Taí um lugar cuja energia tem algo de inexplicável. Não sabemos se o fato de conhecer a história causa essa impressão, mas chegar ao prédio onde tanta gente foi exterminada cruelmente, dá uma sensação terrivelmente ruim. A Silvia, inclusive, não conseguiu entrar nos prédios e teve até ânsia de vômito. Só de lembrar das chaminés é o suficiente para ter um mal-estar.

O crematório mais moderno era dividido em três salas. Na primeira os prisioneiros tiravam as roupas e tinham os cabelos cortados. A segunda era a câmara de gás, o lugar que mais impressionou ao Cesar, porque era uma sala com um pé direito super baixo e apenas um cano saindo da parede, e mais nada. A sensação de entrar neste espaço é horrível. Na última sala estão os fornos onde os corpos eram cremados. Quando o nazismo atingiu seu período mais radical, a quantidade de corpos era tão grande, que eles ficavam empilhados do lado de fora do prédio antes de serem queimados.

Estar na Alemanha é ter contato quase que constante com o holocausto e o nazismo. Em praticamente todas as cidades há um museu ou memorial judaico, sem contar uma série de outros espaços que contam um pouco do que aconteceu naquela época. Não dá para saber exatamente se essa fixação dos alemães é por um sentimento de culpa, mas é essa a impressão que dá ao visitá-los.


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