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Os contrastes de Córdoba, Granada e Cartagena
Publicado em: 22/06/2015

As três cidades são bem diferentes entre si, ainda que estejam bem perto uma da outra geograficamente. Córdoba é bem bonita, com traços das culturas moura e romana por todos os lados. Já Granada é uma cidade um pouco maior, lembrou até Sevilha, com um comércio lotado de gente, grandes avenidas e bons restaurantes, onde foi possível comer em horários mais tradicionais para a gente. E Cartagena foi uma das menores cidades que visitamos. Como chegamos num domingo, parecia até um pouco fantasma em alguns pontos, porque não tinha ninguém na rua, mas foi outro lugar que gostamos muito.

Córdoba
É possível se perder - no bom sentido - no centro histórico, com ruas e construções super charmosas. Existem muitos pontos turísticos bem conservados, entre eles o Alcázar de los Reyes Cristianos, que tem um grande jardim com muitas fontes e lagos. O que atrapalhou um pouco foi a quantidade de excursões naquele momento da manhã. Parecia que todos as escolas da cidade, ou da Espanha, estavam ali para fazer a visita. Muitas crianças pequenas ao mesmo tempo fazendo muito barulho.

Continuamos o passeio pela beira do rio Gualdaquivir até uma ponte romana de 16 arcos, que atravessa o rio e serve de entrada para a cidade antiga, com algumas ruínas de um templo romano.

Sem dúvida uma das coisas mais legais é a catedral-mesquita, de 24 mil metros quadrados. Tentamos visitá-la pela manhã, mas acertadamente escolhemos deixar para ir à tarde, e não tinha ninguém, o que foi um alívio para ver tudo com calma. O lugar é muito curioso: uma mesquita e uma catedral construídas no mesmo espaço, literalmente, uma dentro da outra. Primeiro era catedral, daí virou mesquita e depois virou catedral de novo, graças às invasões e conflitos entre diversos povos ao longo dos anos. O lugar é incrivelmente grande e bonito por dentro, sobretudo pelo contraste entre a simplicidade de uma mesquita e toda a ostentação das igrejas católicas, com ouro, santos e pinturas por todos o lados.

Granada
A cidade foi uma boa surpresa. Finalmente depois de alguns dias conseguimos comer muito bem. Granada lembrou muito as medinas do Marrocos, claro que com uma pegada mais europeia, mas ainda assim uma medina. Por ter um comércio mais agitado, a cidade parecia um pouco mais viva do que as anteriores, e às vezes é gostoso sentir um pouco dessa agitação. A localização geográfica proporciona um charme único: Granada está aos pés da Serra Nevada e ainda era possível ver alguns picos nevados.

Nessa cidade também usamos o Feel the City Tours e percorremos todo centro histórico e bairro mouro, o Albaicin. Uma das construções mais famosas da Espanha está nesta cidade, a Alhambra. É um castelo mouro super preservado, mas que tivemos o azar de não conseguir visitar. Para comprar os ingressos é necessário fazer a reserva com três meses de antecedência, ou acordar às 4 horas e ficar esperando a bilheteria abrir para tentar comprar o pouco que eles vendem para o mesmo dia. Uma dica muito valiosa: se vai passar pela cidade, faça essa reserva, porque ficamos muito frustrados de não conseguir entrar dentro de um prédio tão importante.

Cartagena
É uma cidade portuária bem pequena e com grande influência da época do império romano. O legal de Cartagena é que você chega ao centro de informações turísticas e a pessoa que nos atendeu explicou os valores dos ingressos dos principais pontos turísticos e o que é possível visitar de acordo com o tempo que você terá na cidade. É possível comprar o combo dos monumentos e museus e economizar um bom dinheiro.

Visitamos um anfiteatro que, apesar dos anos, estava bem conservado. O espaço tinha capacidade para 6 mil pessoas. Muito próximo também há uma antiga residência romana, a Casa da Fortuna. É interessante a visita porque dá para perceber claramente que as cidades foram sendo construídas umas em cima das outras, porque a casa está bem abaixo do nível atual da rua. O interessante é que o prédio em cima da casa é um lugar de apostas com máquinas de caça-níqueis super modernas.

As ruínas da construção são bem interessantes e sinalizadas, demonstrando onde ficava cada um dos cômodos. Dentro do espaço tem até um pedaço do que era a rua naquela época, com o sistema de água e esgoto que os romanos utilizavam.

Outro lugar imperdível é um antigo abrigo antimísseis da época da guerra civil espanhola. Foi um dos maiores da cidade com capacidade para mais de 5 mil pessoas, que corriam para lá quando ouviam a sirene indicando que as bombas estavam sendo lançadas. De acordo com algumas explicações do museu, Cartagena foi uma das cidades mais bombardeadas, mas eles não falam sobre vítimas. O espaço é basicamente uma caverna no meio de uma rocha enorme com buracos pelas paredes onde as pessoas buscavam proteção. Eram vários níveis de esconderijo, com o mais profundo chegando a mais de 12 metros. Muito interessante estar ali e imaginar que a população estava sendo bombardeada pelo próprio governo do país. Ficamos imaginando como deve ser a vida de quem mora em países em conflito constante, como a Palestina ou o próprio Rio de Janeiro, que não tem bomba, mas tem bala perdida e mísseis cruzando os céus sob a cabeça dos moradores dos morros quase que diariamente.


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