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Jantar no Astrid Y Gastón
Publicado em: 30/07/2015

Depois de sobreviver a 30 pratos e uma refeição de mais de quatro horas, talvez chegue-se à conclusão de que a comida não é o que mais importa no restaurante Astrid Y Gastón, do super chef peruano Gastón Acurio. A experiência é recheada de mistérios, conceitos e um certo ar artificial ou forçado da equipe responsável pelo salão, o que acaba desviando um pouco o foco daquilo que está sendo servido.

O maior exemplo da quantidade exagerada de comida é que, em determinado momento, o garçom nos avisou que seria feita uma pausa no menu-degustação e que poderíamos sair um pouco para ir ao banheiro ou simplesmente levantar da mesa. Já haviam sido servidos 15 pratos e imaginamos que começariam as sobremesas, mas nossas esperanças foram por água abaixo quando o mesmo garçom avisou que estávamos apenas na metade de tudo, que ainda viriam mais 15 pratos.

Confessamos que bateu um desespero tremendo, porque não tinha mais espaço para comida e o nível de satisfação já tinha ficado para trás depois do décimo prato. Enfim, conseguimos chegar vivos ao final, e a palavra que resume a experiência é exagero. O que nos conforta é que em outras mesas o clima não parecia muito diferente. Em uma delas, inclusive, uma senhora cochilava entre um prato e outro.

Considerando a quantidade de comida, chega um ponto que você para de comer e passa a dar uma única mordida apenas para provar, porque não sabe o que vem a seguir. Outro ponto importante foi não termos feito a harmonização com vinhos, porque seriam 11 taças, e daí sim seria impossível terminar o menu.

O jantar
Você chega ao restaurante e não levam você diretamente à mesa, porque primeiro rola uma espécie de drink de boas-vindas e alguns petiscos, que já fazem parte do menu. Antes de chegar ao salão com as mesas, o garçom passa por uma das cinco cozinhas onde tem umas 15 pessoas trabalhando e pergunta se queremos uma foto nossa com aquele cenário de fundo. Este foi um dos momentos mais vergonha alheia, porque parece ser uma experiência um pouco falsa, mas enfim . . .

Na prática, a comida é boa, mas a quantidade acaba comprometendo a avaliação final. Há de tudo um pouco: espumas, sorvetes com ingredientes salgados, fumaça de nitrogênio e mais algumas pirotecnias. Ao mesmo tempo servem batatas preparadas da mesma maneira que os incas faziam há milhares de anos. Até que cria um contraste interessante.

O ponto alto para o Cesar foi um ceviche de abacate, sobretudo pela pouca probabilidade de construir um prato clássico peruano sem os ingredientes tradicionais e ainda assim ficar muito bom. O último prato também merece destaque: uma carne super marmorizada e impecavelmente bem preparada. Para a Silvia, o principal foram as sobremesas, sem contar que a equipe foi super atenciosa com ela em relação às restrições: a Silvia não come nada que venha do mar ou do rio, e substituir esses ingredientes em 30 pratos não é nada fácil. Mas deu tudo certo.

O preço do menu-degustação é 335 Soles por pessoa (equivalente a 335 Reais). Considerando a quantidade de pratos, talvez nem seja tão caro assim, mas é de se questionar se realmente vale a pena. O fato de o restaurante ocupar a 14ª posição na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, da revista Restaurant, talvez justifique o preço, mas saímos de lá com a sensação de que, se o chef é tão bom para levar o Astrid Y Gastón a essa posição, por qual motivo não consegue exercer o poder de síntese e mostrar toda a sua técnica e qualidade em menos pratos.

Uma observação importante: pedimos desculpas, mas foi impossível anotar todos os pratos para legendar as fotos corretamente. Estávamos lutando para encontrar espaço no estômago para chegar ao final do menu.


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